A questão do financiamento tem sido tema de debate nos últimos anos em fóruns nacionais devido à escassez de fontes para investir nas empresas nacionais, com especial destaque para as micro, pequenas e médias empresas (MPME). Os empresários têm-se queixado das altas taxas de juro praticadas pelos bancos comerciais, em consequência das medidas tomadas pelo regulador do mercado financeiro, que tem fixado taxas de referência muito altas, se comparadas com as dos outros países na região.

Em meio deste cenário verificado na banca nacional que cria no seio dos empresários, um descontentamento generalizado, são apresentadas novas alternativas ao financiamento para as empresas nacionais, no sentido de permitirem a contínua operacionalização das mesmas.

Foi neste contexto que a Conferência Anual do Sector Privado (CASP) na sua 18.ª edição, trouxe como um dos temas de debate: “Fundos de Pensões como Instrumento para bloquear fontes alternativas de financiamentos e investimentos”, onde se contou com a presença da Moçambique Previdente como Orador.

Na ocasião, o Director Geral da Moçambique Previdente, Manuel Sinela, começou por explicar a importância dos fundos de pensões para as empresas declarando que os mesmos “aumentam a moral e a produtividade dos trabalhadores; ajudam a reter profissionais altamente qualificados; aumentam a lucratividades das empresas podendo ajudá-las a expandir-se; e são fontes de rendimentos futuros e complementos da segurança social”.

Posto isso, o responsável pela Moçambique Previdente anunciou que a instituição que dirige gere actualmente fundos de sete empresas: “Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), a Petromoc, a Aeroportos de Moçambique, a Fundação Aurum, a Companhia Moçambicana de Gasoduto (CMG) e a Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH). Informou ainda o Director Manuel Sinela que a instituição conta na sua gestão com um total de activos correspondentes a 2,9 mil milhões de meticais”.

O representante da Moçambique Previdente aproveitou a ocasião para prestar a seguinte declaração: “Estamos disponíveis para as empresas nacionais que buscam criar fundos de pensões, pois assim poderemos a longo prazo financiar a economia: quanto mais empresas criarem fundos de pensões, maior será o valor total de activos”.

Porém, explicou ainda que nem tudo é linear, pois há riscos envolvidos: “os fundos de pensões devem considerar cuidadosamente a liquidez dos investimentos na gestão da sua exposição. O insucesso da empresa na qual o fundo de pensões investir pode afectar negativamente o seu desempenho. Os fundos de pensões devem avaliar cuidadosamente a governança corporativa das empresas antes de investirem para garantir a protecção dos seus activos”, elencou.

Sinela explicou ainda que o financiamento pode ser feito às empresas, mas “a instituição apostaria mais nas que estão cotadas na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), pois é mais seguro por apresentarem riscos reduzidos”.

Neste âmbito, o responsável afirmou que “os empresários moçambicanos têm muitas oportunidades de financiamento”, apontando que “para se ter acesso ao fundo, têm de ser observadas algumas regras. Há que se ter em conta a questão da segurança, da rentabilidade e da liquidez das empresas”.

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